E sabes, eu estava bem até hoje.
Levava a vida nas calmas, sem grande agitação, como sempre levei antes de tu apareceres e quebrares toda a minha rotina bem planeada. Então, hoje eu acordei, vi as
mensagens no meu telemóvel - mas não tinha nada de especial - tomei um banho rápido
de água quente para lavar as mágoas e arranjei-me o melhor que consegui. Dei a
comida ao cachorro e passei-lhe a mão no pelo como ele tanto gosta. Saí de mala cheia mas de estômago e coração vazios. No caminho parei para comer
uma maçã verde, as minhas preferidas, mas não foi só ela que me fez parar. Foi também alguém que eu não
lembrava há muito tempo, ou pelo menos tentava não lembrar. Eras tu. Mesmo ali,
à minha frente, a uns meros metros. A andar com a mesma pressa de sempre,
atrasado para algum compromisso talvez. Mesmo assim esqueceste esse
compromisso e paraste para me dar um beijo banal - como se fossemos simples
conhecidos e nunca tivéssemos passado disso mesmo - e para me perguntar como iam
as coisas. Como vão as coisas? Tu ainda tiveste a lata de me perguntar como vão
as coisas? Então, eu digo-te como vão as coisas - pensei eu. Eu ando um caco
desde que tu decidiste fazer “o que é melhor para mim”. Se o melhor para mim é
isto, viver nesta rotina que eu odeio mais que tudo, sem ti do meu lado, então
eu prefiro nem sequer viver. Eu tenho guardado tudo isto dentro de mim, num
lugar que nem eu própria consigo lá chegar, para não cair na tentação de ir lá,
pegar em todos estes pensamentos e pôr à vista de todos. É assim que eu me
tenho aguentado, e resultou, pelo menos até hoje. Mas agora tu vens com esse
sorrisinho no rosto como se tivesses feito a melhor coisa do mundo e dás comigo
em doida novamente. Eu não sabia que era possível eu amar tanto alguém como
ainda te amo. Depois de tanto tempo longe. E agora eu só quero que tu voltes… que voltes para onde nunca devias ter saído, para junto a mim.
*imaginação*












