E sabes, eu estava bem até hoje. Levava a vida nas calmas, sem grande agitação, como sempre levei antes de tu apareceres e quebrares toda a minha rotina bem planeada. Então, hoje eu acordei, vi as mensagens no meu telemóvel - mas não tinha nada de especial - tomei um banho rápido de água quente para lavar as mágoas e arranjei-me o melhor que consegui. Dei a comida ao cachorro e passei-lhe a mão no pelo como ele tanto gosta. Saí de mala cheia mas de estômago e coração vazios. No caminho parei para comer uma maçã verde, as minhas preferidas, mas não foi só ela que me fez parar. Foi também alguém que eu não lembrava há muito tempo, ou pelo menos tentava não lembrar. Eras tu. Mesmo ali, à minha frente, a uns meros metros. A andar com a mesma pressa de sempre, atrasado para algum compromisso talvez. Mesmo assim  esqueceste esse compromisso e paraste para me dar um beijo banal - como se fossemos simples conhecidos e nunca tivéssemos passado disso mesmo - e para me perguntar como iam as coisas. Como vão as coisas? Tu ainda tiveste a lata de me perguntar como vão as coisas? Então, eu digo-te como vão as coisas - pensei eu. Eu ando um caco desde que tu decidiste fazer “o que é melhor para mim”. Se o melhor para mim é isto, viver nesta rotina que eu odeio mais que tudo, sem ti do meu lado, então eu prefiro nem sequer viver. Eu tenho guardado tudo isto dentro de mim, num lugar que nem eu própria consigo lá chegar, para não cair na tentação de ir lá, pegar em todos estes pensamentos e pôr à vista de todos. É assim que eu me tenho aguentado, e resultou, pelo menos até hoje. Mas agora tu vens com esse sorrisinho no rosto como se tivesses feito a melhor coisa do mundo e dás comigo em doida novamente. Eu não sabia que era possível eu amar tanto alguém como ainda te amo. Depois de tanto tempo longe. E agora eu só quero que tu voltes… que voltes para onde nunca devias ter saído, para junto a mim. 

*imaginação*

*

“How do you know when it's over?" 

"Maybe when you feel more in love with your memories than with the person standing in front of you.”

Gunnar Ardelius

I loved him, and sometimes he loved me too. 

amor-próprio, onde andas tu?


As pessoas falam que sentem saudade de amar realmente alguém ou então que sente saudade de serem amadas. Mas esquecem-se que o que faz mais falta é nós amarmo-nos a nós próprios. Tudo o resto virá atrás. 
♡♡♡♡

I'm losing my mind


Hoje é um daqueles dias que se eu pudesse e tivesse coragem para tal atirava-me da janela. Só não o faço porque é um simples 2º andar e o tombo só me provocaria mais dores, mas desta vez físicas – bem, talvez elas me fizessem esquecer as dores que sinto na alma e no coração mas valerá a pena arriscar?   

Deitada sobre a cama pequena, que em tempos havíamos partilhado, deixei-me ficar. Sem mexer um só dedo durante horas a fio. Fiquei em silêncio, sem dizer uma palavra. As cortinas estavam corridas e a janela trancada. Não corria uma brisa, um som. Estava isolada não só do mundo mas também de mim mesma. Calei os meus pensamentos e deixei fluir o meu coração. As lágrimas ficaram retidas no tecido do travesseiro e o meu nariz pingava. Há muito tempo que eu precisava de um momento como aquele. De pleno silêncio. Apenas se ouvia a minha respiração e o meu batimento, mas pouco, quase nada. Eu apenas estava ali, de corpo mas não de alma, como um morto. Esperava ver-te a entrar pela porta do quarto com a mala na mão - a mesma mala que tu levaste quando desapareceste da minha vida mas não do meu coração - e a dizer: eu voltei meu amor.

Fui aos meus arquivos e encontrei este texto que, em tempos, me deu tanto gosto escrever:

Tu sempre te lamentaste por eu nunca te ter escrito uma única frase. Nem que fosse dizendo mal, expondo-te. Tu eras o meu único amigo e mesmo assim eu nunca te escrevi uma palavra. Eu nunca gostei desse negócio de escrever para um amigo, sempre achei demasiado banal. E para cliché já bastava eu. A verdade é que eu nunca senti necessidade de pegar num papelinho amarrotado e escrever-te meia dúzia de palavras soltas que, mais tarde, iriam parar ao bolso das tuas calças sujas e gastas. Até agora. Tu sempre me protegias, fazias-me companhia quando os meus namorados iam viajar e mesmo assim eu não te amei nem um bocadinho que fosse. Tu merecias alguém que te chamasse não só nas noites em que ia estar sozinha mas, sim, em todas as noites. Alguém que te chamasse de seu sem hesitar nem um pouco. Tu merecias alguém que te considerasse copo d’água em deserto, café quente em noite de frio e, quem sabe, oxigénio. Tu merecias alguém que não fosse eu. E eu bem via nos teus olhos o amor que sentias por mim, um amor absurdo, completamente ridículo mas que dava prazer ver. Tu foste o único homem que eu senti que tivesse realmente gosto em amar-me. O único. Em mais nenhum eu vi o que vi em ti. Em mais nenhum os olhos brilhavam até quando eu os estava a maltratar. Eu acho que o teu amor por mim era tanto que não restava amor para eu nutrir por ti. Porque, normalmente, eu só amo quem não me ama. E só escrevo para quem amo. Mas eu estou-te a escrever agora, então, significa que eu te amo. E se eu te amo é porque tu não me amas mais. Anda uma confusão tão grande dentro da minha cabeça. Enfim, talvez eu sempre tivesse sentido alguma coisa por ti, só não me apercebi antes. O meu coração estava tão ocupado a amar aqueles de fora que se esqueceu do mais importante: tu. E só quando tu me abandonaste, me deixaste em troca daquela nova rapariga que conheceste na noite, o meu coração se apercebeu. Mas agora já não faz diferença. Tu passaste a ser mais um e eu estou a escrever-te, como sempre quiseste, como fiz a todos os outros que me magoaram e me levaram o coração. Mas a diferença é que quando eles me magoaram e  me deixaram eu tinha alguém do meu lado, dando-me o amor que eles nunca souberam dar. Tinha-te a ti. Agora, eu simplesmente estou sozinha. 

Sinto que te devo explicações desta minha ausência repentina. Passaram exatamente três meses até que ganhasse coragem, pegasse num papel amarrotado e te escrevesse alguma coisa. Qualquer coisa simples e breve. Só para te acalmar um pouco, como fazia, em tempos, quando chegavas a casa com todos aqueles problemas do trabalho que te enchiam a cabeça. Eu não sei como tu andas mas tenho esperanças que andes bem. Feliz. Eu fui embora sem avisar, é verdade. Só peguei na mala, enfiei para lá uns trapos e saí porta fora como se estivesse arrependida de viver contigo. Não, meu amor, eu não me arrependo de nada que tenha feito contigo. Só de te ter magoado, mas isso é uma coisa à parte. Eu sei que esperavas qualquer coisa de mim, menos aquilo, menos esta tremenda angústia de eu te ter deixado. Abandonado. Sem nada. Talvez eu tivesse errado ao sair por aquela porta sem te dar um único beijo de despedida, mas aquilo já era tão difícil para mim que nem aguentei olhar nos teus olhos mais de três segundos. Então, eu olhei para baixo para esconder as lágrimas e disse: não dá mais, desculpa. E fui. Não olhei mais a tua cara mas senti as lágrimas a percorrerem lentamente o teu rosto vazio e também ouvi o teu coração a gritar que nem um louco. Desesperado, perdido. Levei  as tuas feições tatuadas na minha mente e o sabor do teu beijo da noite anterior. E, tenho-te a dizer que bastou para eu me aguentar durante três meses

Sentia uma dor profunda a invadir-me o peito. Tinha o corpo pesado e o pensamento distante e encruzilhado. Nada mais fazia sentido. Corriam rios de lágrimas na minha face pálida e doente. Os meus soluços eram silenciados pelo bater forte do meu coração. Naquele momento, só me apetecia abrir um fecho nas minhas costas e fugir, fugir do meu corpo, fugir para longe, para bem longe da dor. Estava deitada na cama, amarrada aos lençóis com tanta força que já sentia as mãos doridas de tanto esforço. Estava assim há mais de duas horas, creio. As persianas estavam corridas até baixo mas eu tinha a sensação que o sol, lá fora, raiava mais do que nunca. Ouvia as gargalhadas das crianças, o Zé a carregar a mercadoria para o supermercado de baixo de casa, os pássaros a chilrear, sentia o caminhar calmo das pessoas na rua. Um dia maravilhoso, primaveril, e eu envolvida naquela escuridão, naquele inverno sombrio, somente com a companhia da solidão e da doce amargura.

Comecei hoje mesmo a limpar a minha alma. Levei algum tempo a conformar-me com a ideia de ter que remexer e reorganizar todas as gavetas da minha vida. Arrumei todos os sentimentos, emoções e lembranças numa caixinha de cartão que eu, em tempos, usara para guardar cartas de amor. Foram lágrimas, sorrisos, mágoas e saudades. Amores e desamores. Tristezas e alegrias. Todos eles guardados e olhados uma última vez nessa caixa tão pequena. Depois que coube lá tudo, eu selei-a com toda a fita adesiva que achei e lancei-a com tamanha força para o mar… Eu só queria vê-la ser levada pelas ondas do mar, vê-la desaparecer com o avançar do nevoeiro e o trespassar da brisa calma de uma manhã primaveril. O segredo está em não apegar-se, em não depender de memórias passadas e de pessoas que não foram mais que uma simples passagem na sua vida. O segredo está em ser moldável, em aceitar tudo o que a vida nos trás e nos leva.


As pessoas não conseguem ser fortes o dia todo, a semana toda, o mês todo ou o ano todo. Por mais que se queira, ninguém pode esconder os seus medos no fundo da gaveta das meias e deixa-los lá bem escondidinhos para sempre. E eu… Eu sou só mais uma menina que se quer fazer de mulher forte e dura, que supera tudo, aos olhos do mundo mas que à mínima coisa se isola e se esconde dos problemas. Eu sou só garganta. Não sou violenta e não desejo mal a ninguém. Sou fraca. Sou alguém incompleto, com o coração vazio e que precisa de algum amor para voltar a viver. Só algum...


Só ele viu a minha alma de verdade. Só ele viu o meu corpo nu por completo. Só ele fazia o melhor bolo de noz que eu já alguma vez tinha comido. Só ele conhecia os meus medos, os meus tormentos e os fantasmas que me assombravam noite e dia. Só ele me viu a chorar que nem uma louca por coisas que agora me parecem tão pequenas e fúteis. Só ele entendia as minhas inseguranças. Só o seu abraço ou o seu beijo me podiam acalmar no momento mais stressante em que parecia que o mundo caía sobre mim. Só ele gostava de ver filmes lamechas comigo amarradinha ao seu peito e de dar passeios de bicicleta. Só ele sentiu o meu desejo mais ardente e só ele me fez querer mais e mais. Só nele eu vi tudo o que podia alguma vez querer ver em alguém. 

Ando cansada. Cansada de pensar, de ouvir as futilidades dos outros, de fingir que tudo estás bem quando na verdade tenho o mundo a desabar em cima de mim. Talvez seja um exagero da minha parte mas é como me sinto realmente neste preciso momento. Sinto uma enorme pressão nos olhos e um aperto no coração como se ele quisesse saltar para fora e fugir, fugir para bem longe de tudo. As lágrimas querem cair, querem escorrer rios infindáveis no meu rosto e inundar-me ainda mais do que já estou, mas eu mantenho-me sempre firme e quando alguma surge limpo-a com a manga da camisola. Tenho o coração um caco, de novo, e não vejo maneira de tirar estes demónios que tenho dentro de mim e que me atormentam de dia para dia. 

Todo este tempo longe e eu nem senti uma pontinha de saudade das palavras que em tempos escrevia com tanto sentimento. A verdade é que não tenho tido tempo sequer para pensar no que quer que seja, quanto mais ter tempo para sentir alguma coisa tão grande como a saudade. E por um lado é mais simples assim, ou devo dizer menos complicado? Sim, menos complicado encaixa-se melhor no contexto. Estes últimos tempos não têm sido fáceis, aliás, nada fáceis. E não, descansem porque desta vez não é mais uma crise de amor ou paixão ou lá o que lhe costumam chamam. Há algum tempo que alguém não me deixa sem respiração só com um olhar ou um sorriso escondido no canto dos lábios. E por um lado é melhor assim, suponho eu. Mas nem todos os problemas dos adolescentes se resumem a isso, a um amor fogaz que todos ou quase todos dizem sentir mas que nunca é correspondido. Dizem… Digo bem. Hoje em dia tornou-se tão fácil transformar qualquer coisa em amor. Se sente saudade é amor, se se isola do mundo é porque é amor, se está triste então só pode ser amor. Coitado do amor, passou a ser desculpa para tudo e mais alguma coisa. Tenho a leve impressão que nestes últimos 4 dias vi a minha mãe chorar mais do que na minha vida inteira. E claro que vê-la nesse estado faz com que eu chore tanto ou mais que ela. Mas eu tenho esperança – essa, coitada, ainda me ampara – que mais tarde as coisas se recomponham. Só desejo que a espera não seja muito longa. Confesso que já estou cansada do desinteresse que deposito nas coisas, na vida, em geral. Neste momento, se eu pudesse eu seria transparente e faria desaparecer todos estes demónios dentro de mim. E não me condenem por isso, eu sempre tive o mau hábito de me esconder dos problemas. E isso tende a piorar, com o tempo, dizem... 
Vou deixar o blog, pelo menos por uns tempos. Se quiserem falar comigo sempre podem encontrar-me no meu novo tumblr (ragazza-rossa). Beijos minhas borboletas.
Um dia alguém vai-se apaixonar pelo teu sorriso torto. Alguém vai querer estar do teu lado o tempo todo. Alguém vai levar-te uma canja - ou somente um beijo - quando tu estiveres doente. Alguém vai querer beijar-te à chuva, e, sabes, tu não o vais impedir. Porque vais querer o mesmo. Um dia alguém vai aparecer carregado com as malas às costas - mas que, mesmo assim, ainda tem uma mão livre para segurar a tua - e bater à tua vida e tu simplesmente não vais ter coragem de lhe fechar a porta na cara como fizeste com os outros. Esse dia não tarda a chegar. E aí vais-me dar razão. Um dia alguém, inesperadamente, rouba-te um sorriso há muito perdido e faz-te esperar algo bom da vida, de novo. Alguém onde tu vais encontrar a tua alma. Um dia… alguém invade o teu mundinho cliché sem pedir sequer permissão e ensina-te que também podemos esperar coisas boas da vida. Alguém com quem não vais ter medo de discutir, de te zangar, porque sabe que no minuto a seguir já terão esquecido tudo. Porque o amor resiste. O amor sempre resiste. Um dia alguém faz-te ser livre como um pássaro. 

Tristeza é quando chove dentro de nós. É quando se forma o maior tornado dentro do nosso coração e nos leva a alma. Tristeza é quando a nossa única companhia é a solidão. E, pior, é quando não resta ponta de esperança dentro de nós que nos salve. 
Sabes aquela dor filha da puta que não descola nem quando a gente vai para a cama e se embrulha nos lençóis com cheiro a alfazema? Aquela que nos toma conta do peito, dia e noite, e que não passa com aspirina? Eu tentei de tudo para a tirar de dentro de mim, mas não tem jeito de ela sair. E dói tanto. Parece que traz por arrasto mil e uma memórias perdidas no tempo. A tua voz melodiosa enche-me os ouvidos nas noites em que sou só eu e a solidão e, tu até me podes achar louca por dizer isto mas... eu quase que podia jurar que ela me toca como tu. Daquela maneira suave e doce, de pôr a pele arrepiada. Parece que sinto os teus dedos a percorrerem o meu corpo nu e depois o meu rosto, dando-lhes forma. O meu estômago fica encolhido, dá-me falta de ar e a minha cabeça rodopia que nem uma doida. E dói, dói para caralho. 

Tu procuras alguém que cuide melhor de ti que tu própria, que te salve de todos os falhanços e mágoas passadas e que não desista tão fácil como os outros. Procuras alguém que dê gosto amar, tu sabes, aquele prazer que vem de dentro e que te deixa de sorriso estampado no rosto durante dias. Tu, moça, procuras alguém em quem encontres a tua alma, alguém em quem vejas os teus planos, sonhos e ambições. Alguém que, assim como tu, gosta do sabor da chuva e da sensação do vento a bater na cara. Procuras alguém que não se importe de ficar em frente à lareira a beber café em vez de se ir embebedar com os amigos para uma festa qualquer, alguém que chega a casa do trabalho cansado mas que ainda tem forças para te dar um ou mil beijos.